Grande aumento de mulheres evangélicas em busca de amarrações amorsas devido pedido de pastores de diversas igrejas, afirma umbandista

Foto: Imagem Ilistrativa - Mercado Livre


Terreiros e espiritualistas voltados para trabalhos amorosos relatam um aumento significativo na procura por amarrações amorosas feitas por mulheres evangélicas nos últimos anos. Segundo um umbandista ouvido pela reportagem, a mudança estaria ligada ao discurso cada vez mais frequente de pastores sobre casamento, submissão feminina e a necessidade de encontrar um “homem provedor”.

De acordo com o religioso, o tema tem dominado cultos, congressos e conteúdos nas redes sociais de diversas igrejas. “Existe uma pressão muito grande para que a mulher encontre um marido, construa uma família e tenha estabilidade financeira através do relacionamento. Muitas acabam ficando desesperadas”, afirmou.

O umbandista relata que boa parte das mulheres que procuram esse tipo de ritual chega em sigilo absoluto, muitas vezes escondendo a busca espiritual de familiares e da própria igreja. Algumas afirmam estar em relacionamentos instáveis; outras desejam conquistar homens já comprometidos.

A justificativa apresentada por várias delas, segundo ele, está relacionada à dificuldade crescente de encontrar parceiros dispostos a assumir relacionamentos sérios. “Hoje existe uma disputa enorme. As mulheres ouvem constantemente que precisam de um homem provedor, mas a realidade econômica e social mudou. Nem todos querem casar, muitos não conseguem sustentar esse modelo tradicional”, disse.

Ele também aponta fatores demográficos e comportamentais como parte do fenômeno. “Há mais mulheres buscando relacionamento do que homens interessados em compromisso. Isso gera competição. Algumas chegam dizendo claramente que, se não conseguem alguém solteiro, tentam tirar quem já está em um relacionamento”, relatou.

Especialistas em comportamento religioso observam que o crescimento de conteúdos sobre casamento nas igrejas acompanha um movimento conservador mais amplo nas redes sociais. Influenciadores cristãos têm reforçado discursos sobre papéis tradicionais de gênero, incentivando mulheres a priorizarem relacionamentos e maternidade.

Enquanto líderes evangélicos condenam práticas espirituais ligadas à umbanda e ao esoterismo, o aumento dessa procura revela um conflito entre fé, pressão social e frustração afetiva. Nos bastidores, espiritualistas afirmam que o perfil das clientes mudou: hoje, muitas chegam usando roupas discretas, evitando exposição e pedindo total anonimato.

Apesar da alta procura, líderes religiosos de diferentes crenças alertam para os impactos emocionais e psicológicos da obsessão por relacionamentos e da idealização de um parceiro como solução financeira ou emocional.

Umbandista nega ligação da religião com amarrações amorosas e relata medo diante da intolerância religiosa

Um dirigente espiritual ligado à umbanda afirmou que a religião vem sendo associada de maneira equivocada a práticas de amarração amorosa. Segundo ele, embora exista uma procura crescente por esse tipo de ritual, a chamada “verdadeira umbanda” não trabalha com intervenções destinadas a forçar relacionamentos ou manipular sentimentos.

O religioso preferiu não revelar sua identidade. De acordo com ele, a decisão foi tomada por receio da intolerância religiosa e dos ataques sofridos por praticantes de religiões de matriz africana no cenário atual.

“Existe muito preconceito. As pessoas misturam tudo e acabam atribuindo à umbanda práticas que não fazem parte da religião. A umbanda trabalha com caridade, orientação espiritual e equilíbrio emocional, não com manipulação da vida amorosa dos outros”, afirmou.

Segundo o umbandista, muitos pedidos envolvendo relacionamentos chegam até terreiros e espiritualistas por causa do desespero emocional de pessoas que enfrentam rejeições, términos ou dificuldades afetivas. Ainda assim, ele reforça que nem todos aceitam realizar esse tipo de trabalho.

Ele também afirma que o aumento da exposição de discursos religiosos sobre casamento e submissão feminina tem contribuído para o crescimento da ansiedade afetiva entre mulheres. “Muitas chegam emocionalmente abaladas, acreditando que precisam encontrar um marido a qualquer custo para terem valor ou estabilidade”, disse.

O dirigente espiritual afirma que parte da população desconhece os fundamentos da umbanda e acaba reproduzindo acusações generalizadas. “Qualquer coisa ligada à espiritualidade já é automaticamente chamada de umbanda ou macumba. Isso aumenta ainda mais o preconceito”, declarou.

Dados de organizações de direitos humanos e liberdade religiosa mostram que casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras continuam sendo registrados em diferentes regiões do país, incluindo ataques a terreiros, ameaças e discriminação pública.

Para o umbandista, o medo faz com que muitos praticantes evitem exposição. “Hoje muita gente prefere ficar em silêncio para se proteger. Existe receio de perseguição, julgamento social e até violência”, concluiu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que gays ativos gostam de passivos dotados?